02/01/2017

O poder da Água Benta

Fazer devotamente o sinal-da-cruz com água benta traz incontáveis benefícios para o corpo e para a alma: afugenta os demônios, obtém o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes e até curar doenças.

Afirmou-me um sacerdote amigo que inúmeros católicos, mesmo dos mais instruídos, não sabem para que serve a água benta. É pena! Por isso, não se beneficiam desse precioso instrumento instituído pela Igreja para ajudá-los em praticamente todas as circunstâncias e dificuldades da vida! Para que serve? Há várias formas de usá-la. A mais comum é persignar-se com ela.

Outra é aspergi-la sobre si mesmo, sobre outras pessoas, lugares ou objetos. Qualquer leigo ou leiga pode fazer isto. Naturalmente, quando feito por um sacerdote tem mais peso. Seu efeito mais importante é afastar o demônio. Este "ronda em torno de nós como o leão que ruge", procurando fazer- nos toda espécie de mal, como nos adverte São Pedro (I Ped 5,8).

Os espíritos malignos, cujas misteriosas e sinistras operações afetam às vezes até as atividades físicas do homem, querem, antes de tudo, induzir-nos ao pecado grave, que conduz ao inferno. Para isto empregam todos os recursos. Às vezes, por exemplo, provocam em nós um sem número de incômodos físicos ou psicológicos. Outras vezes provocam pequenos incidentes, em nosso dia-a-dia, criam atrapalhações que parecem ter causas meramente naturais.

Por exemplo, na hora de cumprir um dever, a pessoa sente um inexplicável mal-estar, um inesperado desânimo, uma estranha dor de cabeça... Em certas oportunidades, sem qualquer motivo, o marido fica repentinamente irritado contra a esposa, ou vice-versa, daí surge uma discussão e se quebra a paz do lar. Ou, então, o pai ou a mãe deixa-se levar por um movimento de impaciência e repreende duramente o filho, em vez de admoestá-lo com doçura. O filho se revolta, sai de casa. Está criado um problema! Tudo isso pode ser evitado afugentando o demônio com um simples sinal-da-cruz, feito com água benta.

Quando você sentir uma irritação estranha, faça essa experiência, e preste atenção no efeito salutar que produz! Logo lhe voltará a serenidade. Além do mais, a água benta é um sacramental que nos alcança o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes (trânsito, assaltos, quedas), e ajuda até a curar doenças.

O conhecido livro "Tesouro de Exemplos" conta que uma criança gravemente enferma ficou imediatamente curada ao receber a bênção de São João Crisóstomo com água benta. A água benta, como todo sacramental, leva-nos a invocar, nas diversas circunstâncias do dia, o socorro do Divino Espírito Santo, para o bem de nossa alma e de nosso corpo.

Outro benefício muito interessante e pouco conhecido: ela pode ser usada eficazmente em proveito de pessoas que se acham distantes de nós. E mais, cada vez que a utilizamos para fazer o sinal da- cruz, na intenção das almas do purgatório, elas são aliviadas dos seus sofrimentos. De onde vem esse poder maravilhoso? Vem do fato de ser ela um sacramental instituído pela Santa Igreja Católica.

O sacerdote benze a água, enquanto ministro de Deus, em nome da Igreja e na qualidade de representante dela, cujas orações nosso Divino Salvador sempre atende com benevolência. É importante lembrar que para ser verdadeiramente água benta, ela precisa ser benzida pelo sacerdote segundo o cerimonial prescrito pela Igreja, no "Ritual de Bênçãos" e no próprio "Missal Romano", ambos publicados pela CNBB. São belas e altamente significativas as orações para a bênção da água.

Por exemplo, esta: Senhor Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda a vida, abençoai esta água que vamos usar confiantes para implorar o perdão dos nossos pecados e alcançar a proteção da vossa graça contra toda doença e cilada do inimigo. Concedei, ó Deus, que, por vossa misericórdia, jorrem sempre para nós as águas da salvação para que possamos nos aproximar de Vós com o coração puro e evitar todo perigo do corpo e da alma. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Portanto, não se esqueça! É muito conveniente ter sempre consigo água benta para usar em qualquer circunstância. Por exemplo, benzer-se com ela ao sair e ao entrar na igreja, em casa ou no local de trabalho; ao iniciar uma oração, um serviço, uma viagem. Para afastar do lar a influência maléfica dos demônios, é muito aconselhável aspergir na casa algumas gotas de vez em quando. Isto pode ser feito por qualquer pessoa da família.

É claro que pedir a um Padre para benzer a casa é muito melhor! Portanto, a água benta é sempre benfazeja e eficaz. (Oscar Motitsuki; Revista Arautos do Evangelho, Junho/2006, n. 30, p. 32 e 33)

Sacramentais, o que são? 


Os sacramentais são sinais sagrados instituídos pela Igreja para proporcionar aos fiéis benefícios principalmente espirituais, mas também temporais, obtidos pela impetração da própria Igreja. São sacramentais, por exemplo: bênçãos de pessoas, de famílias, de casas e de objetos (água, velas, medalhas, imagens, sinos, etc.). Embora os sacramentais tenham analogias com os sacramentos, são essencialmente diferentes em dois pontos principais:

1º - Os sacramentos foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, e são apenas sete. Já os sacramentais são instituídos pela Igreja, a qual pode aumentar seu número o quanto julgar conveniente para o bem das almas.

2º - Os sacramentos têm o poder de produzir a graça santificante pelo próprio fato de serem administrados validamente. Os sacramentais conferem apenas uma graça auxiliar, pelo poder das preces da Igreja e dependendo das boas disposições de quem os recebe. Um efeito muito importante dos sacramentais é o de preparar a alma para receber a graça divina e ajudá-la a cooperar com ela.





Essenciais curiosidades:

https://padrepauloricardo.org/blog/agua-benta-salva-atriz-de-harry-potter-da-morte



Fontes:

http://www.arautos.org/artigo/94/O-maravilhoso-poder-da-agua-benta.html

19/12/2016

Santo Antão

Antão era egípcio, filho de nobres riquíssimos e foi educado cristãmente pelos seus pais. Teve uma educação fechada, vivendo junto a família e muito raramente saia do lar. Não foi para o Colégio, para não ter contato com outros jovens, foi alfabetizado em casa. Todo o seu desejo, manifestado desde que adquiriu a compreensão das coisas, era não sair de casa, viver integralmente dentro do lar. Não era preguiçoso, ao contrário, assumia todos os trabalhos com prazer e alegria, mas insistia em permanecer em casa.

Com a morte dos pais, ficou sozinho com uma irmã mais nova que tinha aproximadamente 18 a 20 anos de idade assumindo a responsabilidade da casa e da irmã. Já há alguns anos frequentava a Igreja com assiduidade e meditava sobre o conteúdo do Evangelho de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Inspirado pela palavra Divina, recebeu-a com ternura, como se tivesse sido ditas especialmente para ele. Decidiu distribuir seus bens e a riqueza deixada pelos pais, reservando carinhosamente uma porção necessária a sua irmã. Protegeu a sua irmã colocando-a numa casa conhecida, onde viviam senhoras virgens e fieis. E então, passou a viver sozinho, praticando e cultivando o bem, exercitando pesada disciplina para domar a própria vontade.

Encontrando outras pessoas, que também viviam sós e se preocupavam em rezar e fazer o bem, ele extraía sempre o melhor delas e juntava as suas virtudes, melhorando cada vez mais as suas qualidades pessoais. Todo o seu desejo e sua aplicação, eram orientados a prática ascética, Antão era um perfeito devoto contemplativo do SENHOR e da admirável Obra Divina. O demônio invejoso não suportava ver aquele jovem aprimorar as suas virtudes e exercitá-las em benefício das pessoas, e por isso, tramava e maquinava contra ele, tentando-o de todas as maneiras, afim de enfraquecer a sua vontade. Mas ele resistia heroicamente.

À noite, o miserável diabo tomava a forma de uma mulher com o fim de seduzi-lo. Mas não conseguia, e desesperado pelos seus fracassos, satanás se sucumbia diante das constantes orações e da permanente fidelidade do jovem Antão. Embora jovem e cheio de vida, não tirou pretexto da derrota do demônio, para se negligenciar e cair na presunção. Por isso, cada vez mais castigava o próprio corpo e o reduzia a servidão, exercitando-se nas mais duras penitências. Com muita frequência, passava noites sem dormir, sempre em vigilância, contra as ciladas do maligno. Comia uma única vez por dia, depois do por do sol e às vezes, tomava o alimento de dois em dois dias. O seu alimento era pão e sal, e a bebida era água pura. Para dormir, contentava-se com uma esteira e às vezes deitava na própria terra nua. Ele dizia que o vigor da alma se fortalece quando os prazeres do corpo se enfraquecem. Fazia o seguinte raciocínio verdadeiramente admirável: “Não se deve medir o caminho da virtude pelo tempo, nem a vida em retiro com vista a alcançar a virtude, mas sim pelo desejo e a resolução (decisão firme). Ele próprio não recordava o tempo passado, mas dia a dia praticava, como se estivesse iniciando na ascese, e se esforçava sempre para progredir cada vez mais. Em cada dia se portava como se estivesse no começo, dedicando-se para mostrar como se deve comparecer diante de DEUS: “com o coração puro e pronto a obedecer a Sua Vontade, e a nenhuma outra”.

Sem local certo onde morar, Antão foi para os sepulcros que ficavam longe da aldeia, recomendando a um de seus amigos que lhe levasse pão em longos intervalos de tempo. Entrou num túmulo, em forma de uma pequena capela, fechou a porta e lá permaneceu sozinho. Os demônios loucos de ódio, temendo que Antão enchesse o deserto de ascese, certa noite se precipitaram sobre ele e bateram muito nele, deixando-o estendido no chão todo machucado. Por disposição da Providência Divina, no dia seguinte, logo cedo, o amigo foi levar-lhe pão e o encontrou no chão como se estivesse morto. Imaginando que de fato ele tinha morrido, levou-o para a Igreja da aldeia e deitou-o no chão. Os parentes e muitas pessoas conhecidas, foram vê-lo e também pensaram que ele tivesse morrido. Todavia, a meia noite, ele recobrou os sentidos, e vendo que todos dormiam e só o seu amigo estava acordado, fez sinal para que ele se aproximasse e pediu que o levasse novamente de volta ao túmulo, sem despertar ninguém. Coberto de chagas e enfraquecido pelos maus tratos, foi colocado no chão do túmulo, onde permaneceu, e o amigo se retirou. Sozinho e sem forças para se levantar, deitado começou a rezar as suas orações. Os demônios ficaram loucos e enfurecidos, por que não conseguiam dobrar a fibra daquele homem. Antão percebeu e gritou forte: “Aqui estou, não fujo dos maus tratos. Se me causarem outros, NADA ME SEPARARÁ DO AMOR DE CRISTO” (Rm 8,35).

À noite, os demônios fizeram tal alarido que o local tremeu fortemente. As paredes da pequena habitação estavam quase rompidas, e apareceram demônios metamorfoseados em animais e répteis, e se encheu o local de espectros de leões, ursos, leopardos, serpentes, víboras, escorpiões, e cada animal se comportando segundo a sua natureza, ameaçadoramente. Gemendo com suas dores Antão permanecia deitado na terra, apreensivo com o acontecimento, mas não se mostrava apavorado e nem revelava medo. Mantinha-se vigilante e falou para os demônios: “Se tivésseis algum poder, bastaria que viesse apenas um de vós para me estraçalhar e acabar comigo. Mas vieram em quantidade! Isso é sinal de fraqueza, principalmente imitando formas de animais. Se não podem fazer nada contra mim por que vos se perturbam em vão? Minha fé no SENHOR é o meu selo de garantia e minha proteção”.

Depois de várias tentativas, sem sucesso, os diabos rangeram os dentes e desapareceram. Naquele mesmo momento, acomodando-se melhor no chão e olhando para o teto da capela, viu que ele se abria e um raio de luz vindo do Céu desceu sobre o seu corpo, como que a consolá-lo. Respirando aliviado pelas dificuldades passadas, sentiu uma imensa paz envolver o seu coração. Sentiu em plenitude a presença de DEUS. Então perguntou: “Onde está SENHOR? Por que não vieste antes para fazer cessar as minhas dores”? Ouviu-se uma voz suave e firme: “EU estava aqui, Antão. Vim para vê-lo combater. Já que perseverastes e resististes, serei sempre o teu socorro e tornar-te-ei célebre em toda parte”. A luz se afastou e o teto da capela voltou ao normal, o dia começava a amanhecer.

Antão estava com 35 anos de idade quando teve esta primeira experiência Divina. Estava reconfortado e sentia uma profunda alegria interior. Fisicamente também sentia o corpo revigorado e fortalecido, as dores desapareceram, estava com mais disposição e destreza, do que antes do combate. O sol já iluminava a região quando ele saiu em direção à aldeia para se encontrar com um idoso, também eremita, e convidá-lo a rezar no deserto. O idoso agradeceu, mas não aceitou por motivo de doença, e completou dizendo que certamente ele seria um constante empecilho e não um real companheiro para Antão. Desse modo, novamente ele partiu sozinho. Sentiu duas investidas de satanás, mas não deu a menor atenção, caminhava rezando com passadas ligeiras em direção à montanha. Depois de passar um rio, encontrou um castelo fortificado, abandonado e cheio de répteis. Decidiu se estabelecer ali. Os répteis se retiraram apressadamente e ele tapou o local de entrada. Levou consigo pão para seis meses (os tebanos fazem pães que se conservam por um ano). Como dentro do castelo havia um poço de água cristalina, ele não saía para nada e nem via aqueles que por lá passavam. Permaneceu assim, por longo tempo, afastado do mundo, somente recebendo pão, de um amigo, duas vezes por ano, e assim mesmo, por cima do muro, sem vê-lo pessoalmente.

 Certo dia, alguns de seus familiares foram até ele, para conversar e ver das suas necessidades, afim de auxiliá-lo, assim como rezar na companhia dele e pedir orações para outros parentes e amigos. Mas ele não lhes permitiu entrar, permaneceram acampados do lado de fora durante dias e noites. E ouviam um barulho estranho como uma tropa de soldados fazendo um grande alarido, esbravejando e gritando com voz lamentosa diziam: “Vai-te de nossa casa! Que vieste fazer aqui no deserto? Você não suportará a nossa conjuração”. Inicialmente os parentes pensaram, que homens descidos até ele por escada, se batessem com ele. Mas olhando pelas frestas e não vendo ninguém, concluíram que era o próprio demônio. Os parentes aterrorizados chamavam por ele. Antão nem se importava com os demônios, e com certa tranquilidade, até se aproximou da porta e disse aos seus parentes que não se preocupassem, que estava tudo bem e que eles voltassem para as suas casas.“Persignai-vos, (ou seja, fazei o sinal da Cruz) e voltem para os seus lares corajosamente, deixai que os demônios se iludam a si mesmos”. Todos fizeram respeitosamente o Sinal da Cruz e voltaram para casa.

A fé de Antão lhe dava a certeza de que DEUS estava com ele e que os demônios nada lhe podiam fazer. E de fato, desesperados e com raiva, os demônios partiram. Viveu assim durante vinte anos, recluso e levando uma vida ascética, não saindo do castelo e não se mostrando a ninguém. Ao longo deste tempo, muitos quiseram imitar a sua ascese e se formou então uma legião de discípulos. E por isso também, estes seus amigos não queriam que ele continuasse a viver sozinho, passando toda a sorte de privações. Foram lá, arrombaram a porta do castelo e assim, encontraram o mestre Antão. Ficaram admirados! Aquilo era um verdadeiro milagre! Antão estava com o mesmo aspecto de vinte anos atrás, e na verdade, segundo a palavra dos seus discípulos, estava mais forte e mais bonito! E somente desse modo, voltou para o meio de seus familiares e amigos. Sempre rezava e mantinha uma conduta discreta e sempre pronta a ajudar.

Através dele, NOSSO SENHOR curou muitas pessoas com diversos males. E aqueles acontecimentos se espalharam com alegria e júbilo. Muitos quiseram seguir o seu exemplo, ensejando a abertura de Mosteiros em quase todos os locais, nas montanhas e nos desertos. Certo dia, em companhia de alguns discípulos quis visitar os irmãos que viviam num Mosteiro, do outro lado do lago Merare. O canal estava cheio de crocodilos ferozes. Limitou-se a fazer uma prece e atravessar o canal com os companheiros, sem qualquer dificuldade. Era como um “pai de todos os Mosteiros”. Os monges tinham o hábito de visitá-lo para ouvir os seus conselhos e orientações. Numa ocasião em que vinte monges quiseram permanecer na companhia dele durante um dia inteiro, num momento apropriado, ele lhes falou: As Sagradas Escrituras são suficientes para nos transmitir os ensinamentos necessários à vida. Mas também é importante que nos exortemos mutuamente na fé, mantendo-nos abertos as conversações e aos diálogos. Vós, meus filhos, trazeis ao vosso pai o que sabeis; eu, mais velho, comunico-vos o que a experiência me ensinou. Que nosso esforço, antes de tudo, seja de não abandonarmos o que começamos, imaginando que nossa ascese já dura muito tempo. Ao contrário, como se estivéssemos começando, aumentemos cada dia o nosso zelo pelas coisas do SENHOR. A vida é muito curta em comparação com os séculos futuros e o nosso tempo não é nada, se comparado com a vida eterna. Todo o combate que lutarmos na Terra, nos dará uma herança não terrestre, mas celeste, e, deposto este nosso corpo, receberemos outro, incorruptível. Portanto, meus filhos, não pensem que fazemos grande coisa. Os sofrimentos do tempo presente não tem proporção com a glória futura que se manifestará em nós. Não devemos permitir que o desejo de possuir invada o nosso coração. Qual a vantagem em adquirir bens que conosco não podemos levar para a eternidade? Assim, devemos buscar apenas as coisas que nos conduzirão a vida eterna: prudência, justiça, temperança, fortaleza, inteligência, caridade, amor aos pobres, mansidão, hospitalidade e a fé em CRISTO. Sendo um servo de CRISTO, devemos saber servi-LO, não oferecendo espaço a pusilanimidade. Um servo não diz: trabalhei ontem, hoje descanso. Não mede o tempo passado para deixar de trabalhar, mas cada dia deve ter o zelo de exercitar dignamente o seu trabalho para agradar o SENHOR, como um bom servo. Nós também, devemos perseverar todos os dias na vida ascética, revelando o equilíbrio de nosso sentimento e a firmeza de nossa fé. Devemos viver como se fossemos morrer, ou seja, com dignidade e honradez, cumprindo nossos deveres e as obrigações, mostrando generosamente a grandeza de nosso amor a DEUS, buscando sempre caminhar na direção do SENHOR. Tendo pois, começado assim e já seguindo o caminho da virtude, lutemos mais, a fim de chegarmos aos bens futuros. O SENHOR disse: "O Reino dos Céus está dentro de vós" (Lc 72, 21). Assim, a virtude tem apenas necessidade de nossa boa vontade, já que está em nós e se forma em nós. Temos inimigos terríveis e cheios de recursos que são os demônios; é contra eles a nossa luta de cada dia. Sabemos que os demônios não foram criados por DEUS como demônios, mas Anjos bons da corte celeste, mas decaídos da sabedoria Divina foram precipitados na Terra. Eles invejam os cristãos e movem tudo, para fechar o nosso acesso ao Céu. Por isso, temos necessidade de orações e ascese, para mediante o carisma do discernimento dos espíritos, recebido do ESPÍRITO SANTO, possamos conhecer as suas atuações e especialidades, e saber como podemos vencê-los e rejeitá-los. Desse modo, a experiência de suas tentações deve servir para nos ajudar a nos precaver de suas insídias. Quando os demônios vêem os cristãos, sejam quais forem, e principalmente se são Monges que trabalham e progridem, os atacam e armam ciladas terríveis, primordialmente os maus pensamentos. E para enfrentar as ciladas do maligno, alcançaremos êxito somente com orações, os jejuns e a fé no SENHOR. Mas vencidos por nossas reações, o demônio não desiste e retorna logo em seguida com astúcia e outras tramóias. Não podendo desviar o coração pelo prazer e pela malícia, se metamorfoseiam, com feições de mulheres, de sacerdotes, de animais, e de serpentes. Para vencermos as tentações e artimanhas demoníacas é necessário permanecermos vigilantes e em orações. Na verdade, o maligno mesmo se julgando forte, é fraco e covarde. Mentem sempre, nunca dizem a verdade, eles não conseguem destruir a alma sincera e piedosa, o único efeito que conseguem é assustar com sua presença repugnante e asquerosa. O demônio e seus asseclas só conseguem atingir e maltratar fisicamente o ser humano, que também é uma invenção Divina, por permissão do próprio DEUS. Sem a permissão Divina, eles só conseguem assustar a humanidade. A permissão Divina acontece para provar e testar a fidelidade do homem ou da mulher. E assim mesmo, ao consentir os maus-tratos de satanás, o SENHOR regula a intensidade dos mesmos, não permitindo que os abusos ultrapassem determinado limite. É o caso, por exemplo do que aconteceu na história de Jó (Jó 1,15-22; 2,7). Mas ninguém deve se gloriar de expulsar demônios e nem de possuir o dom de curar. Tudo é Obra do SENHOR, é ELE quem expulsa é ELE quem cura. O SENHOR concede dons especiais através do ESPÍRITO SANTO, que o homem ou a mulher exercitam em benefício dos outros, e nunca em benefício próprio. “Não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos, antes, porque vossos nomes estão inscritos nos Céus” (Lc 10,20). Diante dele, obriguem o diabo a se declarar. Não tenham medo e não sucumbam ao terror e o interrogue corajosamente: “Quem és e de onde vens?” Se a visão for de um Santo, ele infundirá tranquilidade ao seu coração, mas se a visão for diabólica, com sua pergunta logo se enfraquecerá vendo a força do seu espírito.

Os jovens ouvindo as palavras de Antão, admirados e alegres sentiram que elas produziam um imediato efeito na alma de cada um. Em uns aumentou o amor à virtude; em outros desapareceu a pusilanimidade; e assim, foram persuadidos a não temerem as ciladas do maligno. Desse modo, nas montanhas havia como que tendas, cheias de um coro de homens divinizados, cantando salmos, estudando, jejuando, orando e exultando na esperança dos bens futuros. Entre eles reinava o amor e a concórdia.

O Imperador Romano Maximino desencadeou uma terrível perseguição contra a Igreja. Os santos confessores dos Mosteiros e das Igrejas foram obrigados a comparecer diante das autoridades na Alexandria. Eram julgados a revelia e eram presos. Antão, deixando o seu Mosteiro, acompanhou-os, incentivando-os e os encorajando, dizendo: “Combateremos, também nós, se formos chamados, ou contemplaremos aqueles que combatem”.

Ele desejava sofrer o martírio. Mas não querendo se entregar a si mesmo, servia os confessores nas minas e nas prisões, para onde eram mandados. Vendo a intrepidez de Antão e de seus companheiros, o Prefeito proibiu a entrada deles no Tribunal. Os confessores, vendo a presença de Antão, ganhavam mais força e vigor, e muitos se esforçavam em imitá-lo. Assim, ele servia aos confessores da fé, como se estivesse preso com eles, e se consumia nesse serviço.

Quando a perseguição cresceu e tornou-se mais violenta, com o martírio do Bispo Pedro, Antão deixou a Alexandria e voltou para o seu Mosteiro e passou a praticar exercícios de ascese muito mais rigorosos. E no Mosteiro permanecia isolado, não conversava e não recebia ninguém. Certo dia, o oficial Martiniano, cuja filha era atormentada pelo demônio, surgiu a porta do Mosteiro, suplicando que fosse atendido por ele. Antão não quis abrir a porta, mas inclinando-se do alto disse-lhe: “Homem, por que gritas por mim? Sou uma pessoa humana como você! Mas, se acredita no CRISTO que eu adoro, vai, ora a DEUS com fé, e as suas súplicas serão ouvidas”. O oficial acreditou e começou a rezar ali mesmo. Quando chegou a casa, sua filha estava curada, purificada e livre do domínio de satanás. CRISTO disse: “Pedi e vos será dado” (Mt 7,7).

O SENHOR fez por meio de Antão, muitas outras obras. A maioria dos que sofriam e vinham ao Mosteiro, ele não abria a porta, eles dormiam do lado de fora, e sempre acreditando nas suas palavras, oravam com ardor e eram purificados. Vendo que o número de pessoas que o visitava se transformava numa multidão, impedindo-o de viver no seu retiro, conforme o seu ideal, decidiu abandonar o Mosteiro e partir para a alta Tebaida, onde ninguém o conhecia. Ouviu uma voz do alto: : “Para onde vais Antão, e por que?” Ouviu a voz e não se perturbou, pois já estava acostumado a ser assim interpelado, e respondeu: “Não me deixam viver como um eremita; quero ir para a alta Tebaida a fim de evitar as frequentes importunações, tanto mais que me pedem coisas que ultrapassam a minha capacidade”. A voz lhe disse: “Se queres realmente ser eremita, vai para o deserto interior”. Antão respondeu: “Quem me mostrará o caminho? Não o conheço”. A voz lhe indicou uns sarracenos prontos para a viagem. Antão foi encontrá-los e por disposição da Providência Divina, eles permitiram que ele os acompanhasse.

Viajaram três dias e três noites e chegou a uma montanha muito alta, o monte Colzum. Ao pé da montanha corria água límpida, suave e fresca. Mais longe se estendia um planalto, onde havia palmeiras selvagens. Ele permaneceu no monte e só se ausentou em 312, por motivo de algumas viagens. Nesse monte ele faleceu no ano 356. Sua permanência em Colzum deu origem ao célebre “Mosteiro de Santo Antão do Mar Vermelho”. Como por Vontade Divina, Antão gostou do lugar e lá viveu e construiu o seu Mosteiro. Quando os irmãos ficaram sabendo, se apressaram em ajudá-lo, com alimentação e suprir as suas necessidades. Ele não queria mas aceitou para não decepcioná-los, e a seguir, pela própria vontade, procurou cultivar os alimentos, para não dar trabalho aos seus discípulos e amigos. Os demônios voltaram a perturbá-lo com insistência. Ele tranquilo, tinha confiança no SENHOR, continuava firme com suas orações e ascese. Os demônios fugiam apavorados pelo açoite firme e poderoso de sua fé em DEUS.

Com o passar do tempo tornou-se conhecido na região, e assim, recomeçaram as peregrinações: as pessoas doentes eram levadas a sua presença para serem curadas por DEUS, através de sua eficaz intercessão. Certa menina de Busíris, na Tripolitânia, sofria de horrível mal, suas lágrimas e a secreção que corria do nariz ao cair na terra, se transformava em vermes. Seus pais ao saberem que alguns Monges estavam de partida para o Mosteiro de Antão, pediram-lhes permissão para acompanhá-los com a filha. O pai e a filha ficaram na casa de Pafnúcio, o Monge Confessor e os Monges entraram na morada de Antão. Quando iam falar da menina, ele se antecipou e explicou o mal dela. Então os Monges pediram-lhe permissão para que o pai e a menina fossem à presença dele. Ele não permitiu, mas disse: “Voltai, se ela não estiver morta, estará totalmente curada. Não tenho o poder de curar para permitir que ela venha a mim. Curar é Obra do Salvador, pois ELE usa de misericórdia para aqueles que o invocam. O SENHOR ouviu a minha oração e mostrou o seu amor à humanidade, curando a menina, enquanto ela lá está”.

De fato o milagre tinha se realizado. Os Monges encontraram o pai feliz e exultante de alegria com a cura da filha. Durante uma viagem de barco, Antão orava na companhia dos Monges, e sentiu um cheiro horrível e penetrante. As pessoas a bordo diziam que o barco transportava peixe e produtos salgados, donde o odor. Mas ele disse que não era, que o odor era diferente e fazia lembrar o enxofre. Enquanto falava, um jovem possesso do demônio, que se mantinha oculto no navio, deu um forte grito. Exorcizado por ele, em nome de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, o demônio saiu, e o homem ficou curado. Todos reconheceram então, que o mau cheiro vinha do rapaz.

Admirável era a sua fé e piedade. Não se relacionava e nem suportava os cismáticos e nem os hereges, a não ser para exortá-los a se converterem à piedade. Os arianos, hereges terríveis, falsamente espalharam a notícia de que Antão pensava como eles. Indignado com aquelas inverdades, a pedido dos Bispos e de todos os irmãos religiosos, desceu da montanha e veio a Alexandria para condenar os arianos, dizendo que a heresia lançada por eles era precursora do anti-cristo.

Ensinou ao povo que o FILHO DE DEUS não é uma criatura e que não foi tirado do nada, mas que ELE é o VERBO Eterno e a Sabedoria da Substância do PAI. Por isso, é impiedade dizer: “houve tempo em que ELE não existia”, como afirmam os heresiarcas arianos. Na verdade, ELE (o VERBO, o FILHO) sempre está com o PAI.

Enfrentando os pagãos e os heresiarcas, Antão fez uma magnífica apresentação do valor da fé, com palavras claras e com um milagre Divino, por sua preciosa intercessão. Disse aos pagãos: “Vós estais no auge da incredulidade, procurando raciocínios e argumentos para montar os seus discursos. Quanto a nós, não é com a persuasiva linguagem da sabedoria grega que demonstraremos. Persuadimos pela fé, que põem abaixo a armadura dos discursos”. Olhando para o povo que o cercava, sabia que existiam entre eles, pessoas possessas dos demônios. Ele pediu que as trouxessem para o meio deles e disse aos sacerdotes pagãos: “Purificai-as por meio dos vossos raciocínios ou pela arte que quiserdes, ou por magia, invocando os vossos ídolos. Ou, se não podeis, cessai de lutar contra nós e vereis o poder da Cruz de CRISTO”.

Ditas estas palavras, invocou a CRISTO e fez três vezes o Sinal da Cruz sobre os doentes. Logo aqueles homens se levantaram ilesos, em plena posse de si mesmos e dando graças a DEUS. Os filósofos e os sacerdotes pagãos ficaram admirados com o milagre verdadeiramente realizado. Antão acrescentou: “Por que vos espantais? Não somos nós quem fazemos estas coisas. É CRISTO que as faz por meio daqueles que crêem NELE”. Este sinal foi suficiente para mostrar e provar que a fé em CRISTO é a verdadeira religião.

A fama de Antão chegou ao conhecimento dos Imperadores Romanos: de Constantino Augusto, depois a Constâncio Augusto e também de Constante Augusto, que lhe escreveram como se estivessem fazendo contato com um pai, pedindo-lhe que lhes respondesse. Ele não queria nem receber as cartas e nem respondê-las. Chamou os Monges e disse: “Não vos surpreendais que o Imperador nos escreva, ele é um homem; admirai, antes, que o SENHOR DEUS tenha escrito uma Lei para a humanidade e nos tenha falado por Seu próprio FILHO”! Mas os Monges incitaram que ele as recebesse e respondesse, pois sendo cristãos os Imperadores, não seria agradável escandalizá-los com a recusa. Na resposta, ele felicitou-os por adorarem o CRISTO e deu-lhes conselhos para a salvação eterna. Recomendou-lhes também que amassem as pessoas, observassem a justiça e cuidassem dos pobres. Os príncipes receberam com alegria as suas cartas. Assim, ele era querido por todos. Cada um sentia prazer em tê-lo como um pai.

No seu eremitério, onde vivia, em face de sua avançada idade, já fazia 15 anos que dois Monges permaneciam em sua companhia ajudando-o durante todo o tempo, servindo-o nas necessidades e praticando a ascese. Antão lhes dizia: “Tende sempre o cuidado de vos apegardes primeiramente ao SENHOR, e, depois, aos Santos, a fim de que, após a vossa morte, eles vos recebam nos tabernáculos eternos, como amigos e familiares”. “Não deixais ninguém levar meu corpo para o Cairo, a fim de colocá-lo num mausoléu. Sepultai-o vós mesmos e ocultai-o na terra, guardando de tal modo minha ordem que ninguém saiba onde é o lugar, somente vós. Na ressurreição dos mortos, receberei do SENHOR esse mesmo corpo, incorruptível. Reparti as minhas vestes. Ao Bispo Atanásio dai um melote (pele de carneiro com lã) e o manto que eu usava; recebi-o dele, novo, de presente. Ao Bispo Serapião dai o outro melote; quanto a vós ficai com a veste de crinas. E agora, meus filhos, Antão parte, ele não está mais convosco”. Tendo dito isto, seus discípulos o abraçaram. Ele estendeu os pés e olhando afavelmente seus companheiros com a face alegre partiu para a eternidade.

Morreu aos 105 anos de idade e suas últimas vontades foram fielmente executadas. Escreveu Santo Atanásio: "Assim foi a vida de Antão, e na verdade, o que escrevi é bem pouco em comparação com a grandeza de suas virtudes. Lede essas coisas aos outros irmãos para lhes ensinardes como deve ser a vida dos monges e persuadi-los de que NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO glorifica aqueles que O glorificam, e não só conduz ao reino aqueles que O servem até o fim, mas também, por causa de sua virtude e para a utilidade dos outros, manifesta e torna célebres em toda parte aqueles que se ocultam e procuram viver distante da evidência e da publicidade".

Santo Antão é um santo Egípcio do início do cristianismo no Oriente. Nasceu na cidade de Conam, no Egito, no ano 251. Era filho de pessoas simples do campo. Seus pais professavam a fé em Jesus Cristo. Ele tinha uma irmã. Quando seus pais faleceram, ele estava com vinte anos de idade. Seguindo o curso natural da vida, ele herdou os bens da família e começou a cuidar de sua irmã. Continuou com o trabalho na roça, mantendo uma vida simples e de oração. Mudança de vida Embora cristão, Santo Antão ainda procurava o sentido da vida. Para ele ainda faltava um algo mais que orientasse sua vida para um sentido maior. Ele tinha sede de algo mais, de perfeição, de uma grande significado de vida. Foi então, que, ao participar de uma missa, o padre leu um trecho do evangelho que o tocou profundamente, vindo de encontro á sua sede. O trecho era Mateus 19,21, quando Jesus diz ao jovem rico: Se queres ser perfeito, vai vende seus bens dê aos pobres e terás um tesouro nos Céus, depois vem e segue-me. Antão sentiu que este chamado era para si. Seu coração palpitou ao sentir que Jesus o chamava para a perfeição. Coincidentemente, sua irmã se casou na mesma época. Então, ele vendeu todos os seus bens e foi morar numa caverna no deserto, vivendo uma vida de oração e sacrifícios. A vida de Santo Antão no deserto Porém, mesmo morando no deserto, procurando o isolamento, as pessoas descobriam seu paradeiro e iam procura-lo para pedir conselhos para os problemas da vida e pedir oração. Além disso, Santo Antão atraia discípulos que queriam viver como ele vivia. Estes passavam a morar perto dele em cavernas ou em cabanas, cada um vivendo isoladamente, mas estando perto dele. Foi o primeiro indício de comunidade monástica cristã. O número dos discípulos, porém, foi crescendo tanto, que Santo Antão achou melhor se afastar mais ainda, para preservar seu isolamento. Por isso, ele chegou a viver mais de dezoito anos neste isolamento. Ele morava numa caverna, sob um regime muito rígido que ele mesmo se impôs. Era uma vida de oração profunda, repleta de sacrifícios e jejuns. Além disso, Santo Antão enfrentou inúmeras tentações, mas venceu a todas pelo poder da oração. Conselheiro Santo Antão Mesmo buscando o isolamento, buscando a vida no deserto, os padres, as autoridades, os bispos e pessoas de todo tipo buscavam ajuda espiritual e aconselhamento com Santo Antão. O Santo saiu do deserto poucas vezes. Uma das vezes que se tem registro foi em 311, quando ele foi a cidade de Alexandria no Egito. Era época da perseguição do imperador Diocleciano e ele foi defender um bispo chamado Atanásio. Sabe-se que Santo Antão voltou a Alexandria no ano 335. Dessa vez para confirmar a fé dos cristãos, que andava vacilante e confusa. Ele fez várias pregações que restauraram a fé do povo e recolocou a Igreja de Alexandria no caminho certo. Formando comunidades Os discípulos de Santo Antão insistiram e ele, depois de procurar a vontade de Deus, decidiu formar uma comunidade de monges. Só que esta comunidade tinha uma característica especial: cada um vivia em sua gruta ou caverna. Eles moravam perto uns dos outros e, em apenas alguns momentos de oração durante o ano se reuniam. Santo Antão tinha, então, 55 anos e representava uma forma de superior da comunidade nascente. Santo Antão, pai dos monges Paradoxalmente, quanto mais Santo Antão procurava se refugiar, mais as pessoas o descobriam. Sua fama de santidade se espalhou. Assim, outras pessoas, homens e mulheres, de outras localidades procuraram imitá-lo. Por isso, ele passou a ser chamado de o Pai dos Monges e o Pai dos Eremitas Cristãos. Conta-se que até mesmo o famoso imperador Constantino, responsável pela oficialização do cristianismo no império romano, esteve várias vezes com santo Antão procurando conselho. Santo Antão enfrentou anos de tentações diabólicas e nuca cedeu. Por isso, ele é um exemplo de luta e perseverança nas tentações. Morte de Santo Antão O ascetismo de Santo Antão e sua vida de sacrifícios não o impediram de viver muito anos. Vivei 105 anos! Ele profetizou sua morte e morreu serenamente no dia 17 de janeiro de 356. Sua morte aconteceu na cidade de Coltzum, quando, ao final de sua vida, ele estava rodeado de discípulos que rezavam por ele. Últimas palavras de Santo Antão Antes de morrer, Santo Antão disse a seus discípulos: Lembrai-vos dos meus ensinamentos e do meu exemplo, evitai o veneno do pecado e conservai integra a vossa fé viva na caridade como se tivesse que morrer a cada dia. As relíquias do santo estão hoje muito bem guardadas na Igreja de Santo Antonio de Viennois na frança. Na mesma cidade estão também construídos um grande hospital e várias casas que recebem pobres e doentes. Mais tarde, essas casas vieram a se tornar a congregação dos Hospedeiros Antonianos.
Curiosidades

Santo Atanásio de Alexandria, o autor da "Vida de Santo Antão", é o insigne patriarca de Alexandria. Santo Atanásio nasceu cerca do ano 295. Em 325, sendo diácono, acompanhou o patriarca Alexandre, seu predecessor, ao Concílio de Nicéia, onde foi condenada a heresia ariana. Foi consagrado bispo de Alexandria a 08 de junho de 328. Toda sua vida pastoral viu-se envolvida pela controvérsia e lutas desencadeadas pelo arianismo, constituindo-se ele um dos baluartes da verdadeira fé proclamada pelo Concílio de Nicéia. Por cinco vezes foi desterrado de sua sede, sob os imperadores Constantino, Constâncio, Juliano e Valente. Entre 335 e 337 esteve em Tróvoris; entre 339 e 346, em Roma; os três últimos desterros passou-os no deserto do Egito: 356-362, 362-363, 365-366. Voltando finalmente a Alexandria, morre em 373. Nada sabemos sobre sua formação, seus mestres, seus estudos. Segundo seu próprio testemunho, alguns de seus mestres morreram durante as perseguições; em conseqüência, eram cristãos. Em todo caso, seu âmbito era a Igreja. Sem vacilar entrega-se a seu serviço e à sua defesa. parece ser mais copta do que grego. Fala e escreve copta. Conhece seu povo, pois dele provém. Sua comunidade vai apoiá-lo sempre, através de todas as turbulências de sua vida agitada. Dos quarenta e cinco anos de sua atividade episcopal, passou quase vinte no desterro. Isto explica que a maior parte de suas obras tenham surgido da contenda anti-ariana. Não pretende fazer literatura, mas apenas ensinar e convencer. Fora de uma obra em duas partes (Contra os pagãos e Sobre a encarnação do Verbo), escrita em seus tempos de diácono do patriarca Alexandre, a maioria de suas obras teológicas se dedicam a rebater o arianismo e defender a fé nicena, e nelas predomina o tom polêmico, chegando à ironia e ao sarcasmo. (Três sermões contra os arianos, Apologia contra os arianos, Apologia ao imperador Constantino, Apologia sobre sua fuga, História dos arianos para os monges). Mas Santo Atanásio foi também pastor de almas. Infelizmente perderam-se muitas de suas obras, especialmente seus comentários à Sagrada Escritura. Entre seus escritos sobressaem suas cartas pastorais pascais e um tratado sobre a virgindade. 1.2. SANTO ATANÁSIO E O MONAQUISMO Santo Atanásio não foi monge, mas acha-se em lugar muito destacado nas origens do movimento monástico.Sua vida, como a de todos os Padres da igreja do século IV, foi sumamente ascética. Ainda que seus estudos, segundo o testemunho de São Gregório Nazianzeno, não tenham sido especialmente amplos, possuía ele um grande domínio da Sagrada Escritura. Desde muito cedo parece ter estado em relação com os monges, particularmente com Santo Antão. Dois discípulos deste o acompanharam em seu desterro a Roma em 339, e entre os monges buscou e encontrou colaboradores durante sua luta anti-ariana, confiando a alguns deles sedes episcopais. Todas estas relações de amizade e mútua compreensão - os monges apoiaram amplamente a causa de Santo Atanásio, e este defendeu e propagou o nascente ideal no Oriente e no Ocidente - fizeram-se mais sólidas e profundas durante os três últimos desterros do bispo, na Tebaida e entre os monges pacomianos. Em face à resistência de muitos bispos, Santo Atanásio soube compreender o valor do movimento monástico, estimulou-o, influiu grandemente nele através de seu contato pessoal e de seus escritos, propagou seus ideais e o estabeleceu definitivamente como movimento de Igreja. É indubitável que, fora a ajuda de Deus e sua própria convicção e a adesão inquebrantável de seu povo de Alexandria, Santo Atanásio encontrou no apoio entusiasta do monaquismo copta um grande consolo em sua luta e em seus desterros. Aqui se destaca de modo especial a amizade de Santo Antão: segundo o historiador Sozomeno, escreveu ao imperador Constantino em favor de seu amigo, e não vacilou em apresentar-se na própria cidade de Alexandria. É indubitável também que, fora do influxo doutrinal, a presença de Santo Atanásio foi decisiva na orientação essencialmente escriturística e evangélica do movimento monástico. E, entre todas as suas obras, é sua "Vida de Santo Antão" a que constitui sua mais significativa contribuição ao desenvolvimento do espírito monástico. 1.3. A "VIDA DE SANTO ANTÃO" Santo Atanásio escreveu a "Vida", segundo alguns, por ocasião de seu primeiro desterro no deserto, na Tebaida, encontrando-se entre os monges, 356-362; segundo outros, tê-la-ia escrito em sua volta definitiva a Alexandria, depois de 366. Atualmente já ninguém discute que tenha sido efetivamente Santo Atanásio o autor da "Vida". O que se discute entre os entendidos é, sim, o caráter dessa biografia, isto é, qual o seu gênero literário, a veracidade histórica de seu conteúdo, o próprio pensamento de Santo Antão. Parece haver acordo em aceitar que o substancial dos dados contidos na "Vida" corresponde ajustadamente à verdade histórica, Santo Antão, não é, pois, uma figura mítica, pura criação de Santo Atanásio, como tampouco o são as diversas circunstâncias e etapas de sua vida. No entanto, deve-se conceder que os diversos episódios, separadamente considerados, não têm todos a mesma qualidade. A maior dificuldade se apóia na apresentação da doutrina espiritual de Santo Antão e em alguns aspectos de sua luta contra os demônios; é evidente que se no essencial Santo Atanásio é fiel à figura de seu herói, não é menos certo que expõe suas próprias reflexões sobre o tema. Não cremos que se possa ir tão longe como afirmar que a "Vida" é um tratado de espiritualidade; ela é, efetivamente, uma biografia, que pretende credibilidade histórica (5:7), mas que tem, além dessa finalidade expressa, também outra, abertamente declarada: dar aos monges um modelo digno de imitação (4; 93,1.9; 94,1). É possível que Santo Atanásio tenha tomado em conta o gênero biográfico da antiguidade e que tenha inclusive conhecido determinadas biografias de autores pagãos que puderam ter-lhe servido de modelo. De qualquer modo, deseja demonstrar que o copta iletrado que foi Santo Antão superou amplamente todos aqueles heróis ou homens divinos, não por suas próprias forças, mas pela graça de Deus (5,10; 7,1; 38,3; 78,1.2; 84,1; 94,1). Dificuldades aparte apresentam os dois longos discursos dos caps. 16-43 (sobre o combate espiritual) o 72-80 (contra os arianos). Sabe-se que os historiadores antigos costumavam pôr na boca de seus heróis discursos ou sermões nos quais expunham seus próprios pontos de vista ou sintetizavam livremente as opiniões atribuídas a seus biografados. É provável que Santo Atanásio tenha também recorrido a este procedimento. Contudo, principalmente no primeiro dos discursos dever-se-á reconhecer que se trata do resultado de um influxo recíproco; dadas as íntimas relações entre Santo Atanásio e o mundo monástico do deserto, especialmente Santo Antão, os discursos espirituais refletem a sabedoria experimental dos monges, mas igualmente as reflexões e sabedoria pastoral do patriarca alexandrino. Pois bem, a conferência espiritual dos caps. 16-43, que constitui um quarta parte de toda a "Vida" é a que justamente apresenta o traço que costuma chocar o leitor não iniciado, o mundo horripilante dos demônios. Esse discurso foi caracterizado às vezes como verdadeira súmula de demonologia. Talvez não seja possível dar uma explicação absolutamente satisfatória desse fenômeno. Como todo documento antigo, incluído o Novo Testamento, também a "Vida" dá provavelmente mais lugar ao mundo do maravilhoso, e, portanto, do demoníaco. Muitos serão os fatores que influíram: incapacidade para discernir causas naturais; a convicção de que deuses e ídolos pagãos eram em realidade demônios, que se enfureciam contra os cristãos por sentir ameaçado seu domínio sobre o mundo; crenças populares; influxos de movimentos ocultistas. Não dando muita atenção, sem eliminá-las, no entanto, às representações demasiado realistas do mundo espiritual, fica o essencial de uma grande sabedoria feita de profunda observação e experiência vivida, unida ao carisma do discernimento e da direção espiritual. Finalmente, Santo Atanásio apresenta na "Vida" como tese fundamental, que a santidade ou perfeição cristã, animada pelo Espírito e refletida nas figuras bíblicas (especialmente São João Batista, Nosso Senhor Jesus Cristo, os Apóstolos) e nos mártires da Igreja, continuava ao alcance de todos. Podia mudar, sem dúvida, o quadro externo - agora, o monaquismo tal como Santo Antão o viveu -, mas a plenitude de vida do Espírito continuava sendo a mesma. Neste sentido, a "Vida" continua sendo um documento, não só monástico, mas simplesmente cristão, de perene atualidade. Isto explica também a imensa popularidade que a "Vida" teve em todos os tempos, a quantidade de traduções, desde as que, muito pouco depois da aparição do original grego, foram feitas do latim e do sírio, e constitui a razão mais profunda da versão castelhana (de onde vem esta portuguesa). 1.4. SANTO ANTÃO Para conhecer a vida de Santo Antão tem-se como texto fundamental a obra de Santo Atanásio. Fora dela citam-se por vezes outras fontes, mas que não dão as mesmas garantias de autenticidade. Com mais ou menos segurança se lhes atribuem algumas cartas, ditadas por ele em todo caso, pois não sabia grego. Menor segurança reveste a atribuição que de alguns apoftegmas se lhe faz tradicionalmente. Fora de dúvida estão, no entanto, as notícias contidas na carta que, por ocasião da morte de Santo Antão, escreveu ao amigo deste, São Serapião, bispo de Thmuis (ob. entre 339 e 353), como igualmente a menção do historiador Sozomeno (+ 439?) e o elogio de São Gregório Nazianzeno (+ 389/390). Valem também as menções na literatura pacomiana, ainda que por vezes adornadas com um traço bem legendário. As datas da vida de Santo Antão são inseguras. A mais certa é a de sua morte, no ano 356. Segundo a "Vida" (89,3), tinha nesta data cento e cinco anos de idade. Ainda que semelhante idade, certamente não comum, não seja de todo improvável na vida de um homem, pode, no entanto, estar excedida em alguns anos. Sendo assim, Santo Antão teria nascido entre 250 e 260. Como lugar de origem, costuma-se dar a aldeia de Coma (Kiman-el-Arus), no Egito médio, perto da antiga Heracleópolis. Seus pais eram camponeses abastados. Além de Antão, tinham uma filha. À morte dos pais, o jovem, de uns 18 a 20 anos, vendeu a propriedade, por amor ao Evangelho, distribuiu o dinheiro aos pobres, reservando apenas algo para sua irmã, menor que ele. Posteriormente distribuiu também isso, consagrando sua irmã ao estado de virgem cristã. Retirou-se ele à vida solitária, perto de sua aldeia natal, segundo o costume da época. É a etapa de sua formação monástica, de sua apaixonada dedicação à Escritura e à oração; é também o período de seus primeiros encontros com o demônio. Depois de um certo tempo, buscando uma confrontação mais direta com o demônio, vai viver num cemitério abandonado, encerrando-se um mausoléu. Ali sofre ataques violentíssimos dos demônios, mas sem se deixar amedrontar, persevera em seu propósito. Assim chega aos 35 anos. Empreende então a separação decisiva: vai para o deserto. A "Vida" assinala esse passo como algo totalmente insólito nessa época (11,1). Santo Antão cruza o Nilo e se interna na montanha, onde ocupa um fortim abandonado. Ali passou quase vinte anos (14,1), não se deixando ver por ninguém, entregue absolutamente só à prática da vida ascética. Pressionado pelos que queriam imitar sua vida, Santo Antão abandona a solidão e se converte em pai e mestre de monges. Conta cinqüenta e cinco anos, e junto ao dom da paternidade espiritual, Deus lhe concede diversos outros carismas. Em torno dele forma-se uma pequena colônia de ascetas (44). Nesta etapa conta-se também a descida de Santo Antão e de seus discípulos a Alexandria, por ocasião da perseguição de Maximino Daia (311), para confortarem os mártires de Cristo ou ter a graça de sofrerem eles próprios o martírio. Voltando à solidão, encontrou-a povoada demais para seus desejos. Fugindo então à celebridade, Santo Antão chega ao que a "Vida" chama "Montanha interior" (a "Montanha" exterior, ou Pispir (Deir-el-Mnemonn) havia sido até então sua residência, e nela permanece a colônia de seus discípulos), o Monte Colzim, perto do Mar Vermelho. Apesar de tudo, de vez em quando visita seus irmãos, e estes vão a ele. A "Vida" coloca neste tempo a maioria dos prodígios que lhe atribui. A pedido dos bispos e dos cristãos, empreende segunda vez o caminho de Alexandria, para prestar seu apoio à verdadeira fé na luta contra o arianismo. Os últimos anos de sua vida passou em companhia de dois discípulos. Vaticina sua morte, faz legado de suas pobres roupas e roga a seus acompanhantes que não revelem a ninguém o lugar de sua sepultura. Gratificado com uma última visão de Deus e de seus santos, morreu em grande paz. Ainda que a "Vida" diga explicitamente que Santo Antão não foi o primeiro anacoreta (3,3-5; 4,1-5), sustentando, por outro lado, que foi o primeiro a retirar-se ao deserto do Egito (11,1), e ainda que, além disso , seja muito difícil assinalar origens e iniciadores precisos num movimento humano tão complexo como o monástico, contudo, a figura se sobressai em forma tão extraordinária, que com razão é ele considerado pai da vida monástica e, especialmente, como modelo perfeito da vida solitária. Sua fama já em vida, acrescentada depois de sua morte sobretudo através das páginas da "Vida", é inteiramente justa. Ao celebrar sua festa, de acordo com muito antigas tradições, a 17 de janeiro, os cristãos reconhecemos o poder de Deus entre os homens, a força de sua sabedoria ao deixar-nos um exemplo em homem tão humilde, o dom de seu Espírito multiforme com a discrição e o alento fraterno do grande ancião. 1.5. O DESERTO O deserto constitui, na revelação do Antigo e do Novo Testamento, um tema de atração particular. Sabemos que Israel teve no deserto as experiências mais imediatas da presença, do amor, da misericórdia de Deus, e que nele teve que lutar pela pureza de sua entrega, pela fidelidade a seu Deus. Para uma tradição, o deserto passou a ser inclusive um símbolo da relação mais pura, da frescura do primeiro amor entre Deus e Israel. Na medida, porém, em que Israel se fez sedentário, foi variando sua compreensão do deserto, e não viu nele senão algo terrível, cheio de ameaças e feras, onde ninguém podia viver. Deste modo, a meditação de sua própria história fê-lo perder a visão idílica de sua peregrinação pelo deserto, e apercebeu-se de que essa época esteve cheia de pecado, de ofensa a Deus, a tal ponto que em certo momento o deserto chegou a ser símbolo do juízo condenatório de Deus. Já se vislumbra nisto a oscilação na consideração do deserto como habitação privilegiada de Deus e como lugar de sua ausência, horrível, cheio de perigos e tentações. O Novo Testamento é igualmente devedor dessa dupla visão. É no deserto que São João Batista começa o anúncio do Reino de Deus, e para onde foge a Igreja perseguida do Apocalipse (12,5-6). É também a montanha solitária lugar preferido por Jesus para sua oração íntima. Mas o deserto é, além disso, morada do demônio, símbolo do obscuro e sem vida. Jesus é tentado no deserto e, segundo seu próprio ensinamento, esse é o lugar próprio dos demônios. Seja qual for a origem dessa dupla imagem do deserto, o essencial é que participa do paradoxo de tudo o que conforma a relação de Deus com o homem. Não há lugar, nem tempo, nem coisa, nem pessoa que goze da unidade que só é própria de Deus. Tudo está marcado com o signo da ambigüidade. Tudo pode ser sinal da presença de Deus, tudo pode ser também tentação para esquecê-lo. O deserto aparece então não sob a simplista concepção de uma fuga ou evasão do mundo, senão como aquela realidade de nosso mundo na qual, mais do que em nenhuma outra, se está com indefesa desnudez ante a única decisão que importa: por Deus ou contra ele. O deserto recorda ao homem sua pobreza e solidão essenciais, sem as quais não se pode compreender nem a riqueza da criação nem a graça que significa a comunidade e o serviço aos homens. É essa dupla visão caracterizada também pela "Vida". Santo Antão vai ao deserto, vai progressivamente em busca de maior solidão para poder se enfrentar com todas as incitações que pretendem envolvê-lo em sua complexidade, estorvando-lhe o caminho à recuperação de sua unidade. É o lugar de sua luta contra o demônio. À medida, porém, que seu progresso espiritual avança, o deserto se converte para ele em lugar privilegiado de seu encontro pessoal e místico com Deus. Esta é a finalidade verdadeira e última de toda austeridade, de toda vida ascética. Seria insensato crer que Santo Antão ou os monges esgotam sua vida na busca do demônio. Buscam primeiramente a Deus, mas sabem muito bem que esse caminho passa através de todas as ilusões demoníacas. As privações de todo tipo, a leitura e meditação da Palavra de Deus, a oração constante, são as armas para percorrer o caminho sem temer os perigos. Sua meta última é, porém, restaurar a imagem do homem tal como foi criado por Deus: dono, e não escravo do mundo, ao serviço do único Senhor do universo, e assinalar o estado último e definitivo, em que tudo é um, em que tudo é Sim e Amém. 1.6. TEXTO DA "VIDA" A "Vida de Santo Antão" foi escrita por Santo Atanásio em grego. Do texto grego se conhecem 165 manuscritos. Mais da metade deles se conservam na forma que receberam na compilação de Simeão Metafrasto, o hagiógrafo grego, em fins do século X. Este texto só teve até agora duas edições originais. A primeira foi feita por David Hoeschel em 1611; por este texto todo o século XVII conheceu a "Vida". Em 1698, os beneditinos da Congregação de São Mauro J. Loppin e B. de Montfaucon publicam a primeira edição crítica das obras de Santo Atanásio, a qual figura na Patrologia grega de Migne, t.26, col. 837-976. De fato, ambas as edições, salvo algumas variantes, continuam utilizando o texto metafrástico. Seria necessária uma edição crítica do texto grego. Do texto original há duas versões latinas e várias orientais. A versão latina mais conhecida é a devida ao presbítero Evágrio de Antioquia, que no ano 388 chegou a ser bispo de sua cidade; Evágrio era amigo de São Jerônimo, e dedicou sua tradução a Inocêncio, amigo comum de ambos, morto em 374. Esta versão é, pois, do tempo de Santo Atanásio, e deve ter sido feita pouco depois da publicação do original, o que demonstra sua ampla difusão e popularidade. Dom André Wilmart deu a conhecer em 1914 a existência de outra versão latina distinta, conservada num códice do Capítulo da Basílica de São Pedro, e publicou algumas partes. Gérard Garitte editou-a integralmente em 1939. Supõe-se hoje em dia, geralmente, que esta versão é também anterior à de Evágrio, mas a deste é que foi constantemente copiada e impressa. Aparece efetivamente na edição beneditina mencionada anteriormente, ao pé do texto grego, e é também a publicada por Migne, tanto na Patrologia grega como no vol. 73, col. 125-168, da Patrologia latina. Também existem versões coptas, árabes, etíopes, sírias, armênias e georgianas, algumas já editadas, outras entretanto inéditas. 1.7. NOSSA VERSÃO Como já se explicou ao leitor no prólogo, o manuscrito original da tradução castelhana foi preparado sobre o texto latino de Evágrio de Antioquia. Dada a penúria de material patrístico em nossa região, só nos foi possível utilizar o volume da Patrologia grega por muito pouco tempo. De todo modo, revimos todo o manuscrito segundo esse texto. As variantes de Evágrio, que nos pareceram mais importantes, consignamo-las nas notas com a sigla: E. Foram-nos muito úteis as versões de René Draguet, Robert T. Meyer e Jean Bremond, assinaladas mais adiante na bibliografia. Desde já agradecemos todas as observações dos eruditos amigos sobre erros de tradução ou sugestões para sua melhor formulação. É este também o lugar para agradecer de todo o coração ao Pe. Elmar Boos, o.f.m. Cap. do Convento de São Francisco de Valdivia, por sua generosidade em obter para nossa biblioteca o "Patristic Greek Lexikon", de G.W.H. Lampe. 1.8. LACUNAS Estamos muito conscientes de nossas insuficiências e lacunas. Em particular teríamos gostado de incluir a tradução das cartas e apoftegmas atribuídos a Santo Antão. Igualmente quiséramos ter podido incluir nesta "Introdução" uma resenha das traduções castelhanas da "Vida" e, sobretudo, uma exposição dos motivos mais salientes de sua doutrina espiritual. Mas, não só esta "Introdução" se teria estendido muito além do que já o foi, como também declaramos nossa incompetência neste ponto, maior ainda do que nos outros em que nos atrevemos a tocar. 1.9. BIBLIOGRAFIA Damos a lista das obras que mais nos serviram tanto para a redação desta Introdução, como para a preparação da tradução e das notas: MIGNE, Patrologia grega, t. 26 (PG). MIGNE, Patrologia latina, t. 73 (PL). COLOMBAS, GARCIA M., El monacato primitivo, T. I BAC 351, Madrid, 1974, 376 p. BREMOND, JEAN, Los Padres del Yermo. Prólogo de Henri Bremond. Aguilar, Madrid, s.a., 510 p. DRAGUET, RENE, Les Pères du Désert. Plon, Paris, 1949, 1 X - 333. LAMPE, G.W.H., Patristic Greek Lexikon. Clarendon. Oxford, XLVII - 1568 p. LORIE, L.T.H.A., Spiritual Terminology in the Latin Translation of the Vita Antonii (Latinitas Christianorum Primaeva XI). Dekker & van de Vegt, Nimega, 1955, XV - 180 p. MEYER, ROBERT T., The Life of Saint Anthony (Ancient Christian Writers, n. 10). The Newman Press, Westminster, Maryl., 1950, 130 p. Studia Anselmiana 38: Antonius Magnus Eremita. Cura BASILII STEIDLE OSB Herder, Roma, 1956, VIII - 306. FONTE: Padres do Deserto Mosteiro da Virgem (Petrópolis-RJ)







Quer saber mais?
http://www.padresdodeserto.net/antao1.htm


Fontes:

http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-santo-antao/117/102/
http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/monaquismo/vida_de_santo_antao_sobre_a_obra.html
http://apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com/vidan.html

24/11/2016

O Rei, a Rainha e o plebeu

Era uma vez, um reino que depois de uma dura batalha contra os bárbaros terríveis, venceu e se tornou o reino dos reinos, o maior reino de toda terra. No reino, reinava um Rei e sua mãe, onde naquela época, era comum o Rei proclamar sua mãe, Rainha do seu reino.

Neste reino havia um plebeu, chamado João, que durante a grande batalha, fora salvo diversas vezes pelo próprio Rei, em seu cavalo branco, em diversas enrascadas dos bárbaros.

Depois do fim de todas as batalhas, João queria dar algum presente para o Rei em forma de agradecimento, por ter salvo sua vida várias vezes. Mas havia um problema. João era muito pobre, miserável, imundo, e vivia na rua como pedinte. Mesmo assim, estava decidido de presentear o seu magnífico Rei.

João saiu do seu reino, para se aventurar fora dos muros protegidos, e procurar um presente digno para o seu Rei. Depois de buscar por todo o canto da região, nada que ele fosse pegar para presentear, parecia digno. Se viu em grande apuros, pois era uma batalha mais difícil que a dos bárbaros, encontrar um tesouro para o seu amado Rei, digno de ter todos os tesouros da terra.

Foi quando estava passando por um enorme jardim florido, que caiu de joelhos, em prantos, sentindo-se derrotado. Então, andando pelo lindo jardim, pegou a melhor rosa que havia encontrado, mas cheia de espinhos, e retornou ao reino.

Chegando as portas do reino, entrou, e foi direto ao castelo do seu Rei. As portas do castelo, bateu 3 vezes, e um subordinado do Rei veio ao seu encontro. João, então lhe contou a sua história. Ele comoveu o servo do Rei. O servo pediu que João entrasse e prontamente chamou, em vez do Rei, a Rainha.

Numa das salas do castelo, João contou sua história com mais detalhes, e mostrou a rosa a Rainha. Envergonhado, pediu que entregasse ao seu Rei, pois não havia encontrado nada mais digno, e muito menos ele se sentia digno de entregar ao Rei, sendo ele miserável. Depois disso foi embora.

A Rainha então pegou esta rosa, mandou os guerreiros mais valorosos do reino buscarem das mais lindas rosas nas redondezas dos muros. Depois, pediu que o tesoureiro do reino pegasse as jóias mais belas de todo o reinado. Depois que tudo chegou em suas mãos, colocou numa cesta toda adornada em ouro e diamantes, revestiu-a com as flores, encheu-a de jóias, e colocou a rosa dada por João bem no centro.

E com muito amor e muito zelo pelo presente que João havia oferecido, levou ao Rei. O Rei se emocionou com o presente, e convocou todo o reinado para uma festa. Nesta festa deu um grande e valoroso discurso, e mostrou o presente que havia recebido, todos se maravilharam, e João, grandiosamente agradecido pela Rainha, clamou, Salve a Rainha e o Rei!

FIM! Mas ainda não acabou?

Essa é uma estória lúdica, para ilustrar a nossa relação REAL com Jesus Cristo. Todos nós somos um pouco ou muito do que o plebeu é, miseráveis, imundos em nossos atos, corações. E qualquer coisa que formos oferecer a Jesus, pequenina ou grandiosa, para Ele, que é Deus do universo, corresponde a nada. Ao passo que se torna uma ofensa a Ele.

Mas, quem pode recusar um presente de sua mãe amada? Nenhuma mulher, até Maria nascer, foi digna de conceber Jesus, e como ela é a preferida, a predileta de Deus, quando ela presenteia algo a Jesus, os anjos e os santos glorificam nos Céus, e Jesus fica enormemente feliz.

Como foi Deus que a escolheu para Rainha de todo o universo, Maria possui a realidade de que foi ela que trouxe Jesus ao mundo, então é através dela que o mundo deve ir até Jesus de forma mais digna e eficaz, a outra realidade é que como Rainha de todo o Universo, ela tem acesso a todas as riquezas, por nós conhecidas e desconhecidas.

Então, se darmos a Maria nosso presente, que mais parece uma ofensa, cheio de espinhos, para que entregue a Jesus, sem sombra de dúvida, que para o Filho amabilíssimo desta grandiosíssima mulher e detentora de todos os tesouros do universo, irá revesti-lo dos tesouros mais belíssimos que ninguém nunca poderá imaginar.

FIM!

Autor Desconhecido!